A vilania do contorno

Contorno na maquiagem não foi uma moda à qual eu aderi logo no seu início. Digo até que eu relutei durante alguns anos antes de me render a ele. Aliás, esse comportamento é típico meu. Por ter um olhar meio cético diante das “tendências” (curioso como até esse nome já saiu de moda), eu primeiro as observo, avalio, e só uma vez convencida de que vale a pena experimentar, eu parto para comprar o primeiro produto e fazer os primeiros testes.

Quando as emblemáticas fotos de Kim Kardashian com o rosto mapeado em maquiagem clara e escura por seu maquiador Mario Dedivanovic correram a internet em 2014,  mulheres, maquiadores e marcas correram para adotar aquela nova moda. Já eu dava de ombros… “Pra que isso tudo?”, “que exagero!” e seguia sem alterar a minha maquiagem.

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Kim Kardashian e as fotos que popularizaram o contorno, rendendo ao seu maquiador Mario D. o título de “rei o contorno”

O tempo passou, mas a moda do contorno não passava. Alí eu comecei a ficar preocupada: pessoas com manchas alaranjadas e acinzentadas em seus rostos começaram a brotar que nem capim. Todo nariz era afinado. Quando não, carregava uma barra marrom em cada lateral. Toda bochecha era cavada, toda testa encurtada…

As mais tolerantes ao uso de maquiagem passaram a amar o efeito do contorno, enquanto que as do clube do “menos é mais” (inclusive essa que vos fala) passaram a criticar a técnica. Nesse momento houve um racha: de um lado as que diziam que contorno era um ótimo recurso para disfarçar defeitinhos e realçar a beleza enquanto que outras criticavam o uso do contorno para enquadrar todo rosto num padrão de beleza inatingível. E apesar dos dois lados terem sua razão, parecia impossível chegar a um acordo.

Meu filho caçula tinha 3 meses de idade quando eu voltei a atender minhas clientes em meados de 2016 mas, por ter ficado bastante tempo parada, sentia a mão travada… Isso acontece comigo sempre que passo longos períodos sem atender, e o tratamento mais eficiente pra mim é fazer um curso intensivo com algum profissional cujo estilo de maquiagem seja totalmente diferente do meu, pra dar uma chacoalhada e soltar a mão. Foi então que eu fiz o curso com Helder Marucci no final de 2016 e, cá pra nós, que chacoalhada boa eu levei! Fiz uma maquiagem com contorno a la Kim Kardashian e perdi o medo da técnica.

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Eu maquiando no curso de Helder: tive que usar base escura como contorno porque não tinha nenhum produto específico para esse fim no meu kit

De lá pra cá, depois de muitas tentativas e erros, encontrei a MINHA forma de fazer contorno e, justamente por ter uma mão mais leve e passar longe das manchas alaranjadas / acinzentadas, eu cheguei a uma conclusão: o contorno é uma técnica maravilhosa e indispensável em praticamente todos os meus atendimentos!

Pois é, quem diria! E o que me levou a mudar de ideia? Hoje, com o assunto mais amadurecido, eu consigo explicar: existe diferentes formas de se fazer contorno, da mais sutil à mais intensa. Só que quando a moda estourou, parecia só haver uma: a de Kim Kardashian. Só com o tempo novas técnicas e novos produtos foram surgindo para atender as preferências de cada pessoa. E no meu caso, eu gosto de um contorno de definição, não tanto de transformação. E acredite: existe uma grande diferença entre os dois.

Contorno de transformação, como o nome sugere, altera as proporções do rosto para alcançar um objetivo de maior harmonia, portanto, é mais intenso. Tão intenso que, ao menor deslize, a pessoa não irá se reconhecer diante do espelho. No entanto, não se sinta culpada se você quiser parecer ter uma bochecha mais magra, um nariz mais fino ou uma testa menor. Se você fizer isso por uma vontade sua, maravilha, mas cuidado se a sua real motivação for agradar o outro / a sociedade. Quero sempre que a maquiagem reforce a sua autoestima, e não a diminua, ok?

Bom, agora falando sobre o contorno de definição, imagine o seguinte: quando aplicamos uma base sobre o rosto, principalmente quando ela tem cobertura alta, estamos anulando as nuances de claro e escuro naturais do rosto, substituindo por um único tom. O lado bom é que isso deixa a pele mais uniforme, o que é ótimo, mas a desvantagem é que o rosto fica chapado. Usar o contorno de definição ajuda a revelar o que já existe de profundo no rosto, assim como o iluminador projeta os pontos naturalmente mais altos, formando uma ótima casadinha. O rosto, antes bidimensional por causa da base, volta a ter profundidade, relevo, volume. Não estamos mudando nada, só redefinindo o que já está lá.

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Maquiagem que fiz recentemente em Milena: diversas nuances mais claras e escuras na pele que, juntas, fazem todo sentido e dão mais vida ao rosto

Resumindo isso tudo: não é a toa que o contorno nunca mais saiu de moda desde aquelas fotos de Kim. Eu, particularmente, acho que ele veio pra ficar… Então, aproveite que hoje existe alternativas para agradar desde as mais discretas até as mais dramáticas e faça como eu: invista no contorno até achar o SEU jeito de fazer. E se precisar de um empurrãozinho com isso, não esqueça que minhas aulas de automaquiagem estão aí pra te ajudar! Beijo!